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por Paula Cajaty e F. Freitas
- Motta, Thereza Christina Rocque da. A vida dos livros. Rio de Janeiro: Ibis Libris, 2010.
Aos poucos chegavam as mensagens eletrônicas do blog IbisLibrisBooklog, um blog que parecia ser o suspiro de todo editor e de todo aquele cuja vida gira em torno de uma paixão e de um carma: o livro.
Intuitivamente fui marcando as mensagens e separei numa pasta: não podia perder aqueles textos. E eles foram se aprofundando, pegando corpo, começaram a constituir uma unidade, sob a escrita ao mesmo tempo feroz e suave da escritora, editora e sobretudo poeta Thereza Christina Rocque da Motta. O resultado não poderia ser melhor.
Para quem não leu os posts, e nem acompanhou o blog, o livro traz os textos e tranquilizam autor e editor. Para o editor, serve para se conhecer mais e compreender melhor sua guerra diária. Para o autor, o enfoque da editora e de suas agruras é essencial para um entendimento da dimensão humana que se esconde atrás de selos e editoriais.
Logo na primeira página nos deparamos com a pergunta principal: "Como se faz um livro?"
É muito difícil responder. Livros se fazem de todo jeito. Mas é justamente essa pergunta que move Thereza a tentar explicar todas as etapas da produção editorial.
A autora, que há mais de 30 anos publica tudo que escreve e o que gosta de ler, conta da sua trajetória, sua relação com a literatura e sua experiência profissional. Cada livro publicado é de fato diferente, tem suas peculiaridades e sua história, iniciada no momento em que o autor se prepara para começar a escrever até o momento em que o livro está pronto, materializado.
É necessário ter muita paciência, e sobretudo suavidade e gentileza, para se acompanhar com dedicação cada etapa, pois erros, coisas inusitadas e tropeços no planejamento acontecem sempre.
São mesmo muitas histórias que Thereza tem para contar. Afinal são 10 anos trabalhando em uma editora e participando ativamente do mercado editorial, seja coordenando a LIBRE, seja organizando os Festivais de Poesia da Primavera dos Livros. Ela menciona que nesse tempo pôde perceber que a principal semelhança entre os autores é a pressa. Todos querem a maior rapidez possível e são dominados por uma ansiedade sem tamanho. No entanto, o editor também tem que negociar com a pressa e tem a absoluta certeza que a pressa é a inimiga da perfeição. A questão é que, no livro, não se espera menos do que isso: a perfeição.
O mais divertido e esclarecedor, no livro, é que Thereza mostra alguns emails que recebe. Editados ou não, ficcionais ou não, servem como exemplo do calvário editorial. Alguns, de pessoas com muitas dúvidas. Outros trazem elogios copiosos, e ela responde na maioria dos casos com dicas úteis que servirão para todos.
Para autores de todo tipo, e especialmente os de primeira viagem, bem como para os curiosos que querem conhecer melhor sobre o processo editorial, o livro funciona como um belo manual, e ajuda a escritores e editores se desarmarem um pouco mais, se unirem um pouco mais, nessa selva que é o mercado dos livros.
Mais:
- podcast da JovemPan Online;
- divulgação do livro na Verdes Trigos.
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