Sexo, tempo e poesia

 

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- Jardim, Leandro. Os poemas que não gostamos de nossos poetas preferidos (e outros exercícios ensimesmados). Multifoco: Rio de Janeiro, 2010.

Leandro Jardim é um poeta que flerta com vozes e ritmos, um compositor que se encanta com sons e palavras, desde há muito nos circuitos poéticos cariocas. Não é à toa que, tendo publicado 'Todas as vozes cantam' e, efetivamente, compondo as músicas mais diversas para os sons de Raphael Gryner, Diogo Cadaval e para a bela voz de Anna Clara Valente, produziu mais esse belo livro, sobre justamente aquilo que nos une ou nos separa, prática e poeticamente falando: os gostos.

Em sua apresentação, ele se defende, dizendo que já conhece o senso comum que afirma haver entre os (poucos) leitores de poesia, um grupo ainda menor que 'goste' de metalinguagem.

E, num contexto de mundo onde o 'curtir' e o 'gostar' é um divisor de águas, separando tribos e identidades por seus gostos - e repare-se bem, não por semelhanças ou ideiais, mas por gostos - é bem divertido descobrir até que ponto podemos nos identificar com outros também nos des-gostos comuns.

Deixando teorizações de lado, e atravessando a apresentação do autor para as páginas dos poemas, Leandro Jardim exibe - agora, sim - seu predileto exercício de alegria, o re-encontro com uma delicadeza que perpassa sentidos, a surpresa do humor refinado, inteligente, cartesiano, único, todo dele.

Os poemas de Leandro revelam a graça de desmontar a máxima 'gosto não se discute', e ele discute sim: Pessoa, Vinicius, Clarice, Drummond, esses poetas sobre os quais nos debruçamos desde a infância. Sobretudo, Leandro escreve com a satisfação de quem não está em um tribunal de julgamento e, ao fim, mostra que mesmo entre as folhas da genialidade, existe o erro, o incorreto, o pior, o traço que nos torna essencialmente humanos, absolvendo toda nossa eterna imperfeição.