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por F. Freitas e Paula Cajaty
- Musser, Halime. Best-Seller - A história de um gênero. RJ: Usina das Letras, 2010.
Halime Musser mostra que, além de leitora voraz e ótima resenhista, é uma escritora audaciosa e põe o dedo na ferida: ninguém antes havia ousado se dedicar ao estudo da delicada conjunção de acertos e erros que eram capazes de fazer um livro vingar, ou não. Depois do longo prefácio de Felipe Pena, um dos co-autores do 'Manifesto Silvestre' que defende a literatura do entretenimento, 'Best-Seller' se revela um livro original e inovador, baseado em estudos e pesquisas feitas pela autora em longos anos de convivência com o mundo literário.
Halime discorre sobre os significados e diferenças entre este gênero e a literatura culta, clássica e sua relação com o romance. Explica as razões pelas quais a maioria dos livros considerados 'best-sellers' tem basicamente uma linguagem e temas similares, e quais critérios são necessários para haver essa consideração, incluindo questões financeiras e literárias.
O surgimento do conceito de 'best-seller' foi uma conjugação de fatores relativos ao barateamento do custo do livro, associado à sua produção em escala, ampla distribuição e divulgação, acreditando-se que tal 'fórmula' tenha surgido no início do século XIX.
Como a autora explica, é um tipo de literatura que não explica história, voltando-se para o cotidiano do leitor, e pode assumir um certo caráter jornalístico, transmitindo informações sobre lugares, cultura, em relação com a trama. Não precisa ter um estilo específico, podendo ser uma narrativa simples, bastando a coesão da trama e a linguagem de acordo com o personagem e seu meio social. O livro assim designado pode algumas vezes usar gírias e palavrões que fogem à norma culta e não tem nenhum perfil acadêmico.
Atualmente, os 'best-sellers' tomaram tal proporção, que acabam facilmente adaptados para outras mídias e sua produção é totalmente baseada no marketing e na lei da oferta e procura. No entanto, da mesma forma como filmes 'blockbusters', um livro desse gênero fica pouco tempo nas prateleiras, pois logo outra novidade, outra febre de consumo tomará seu lugar. Isso faz com que os autores que obtiveram sucesso usem os padrões que deram certo anteriormente, gerando obras de temas repetitivos. A lógica do 'best-seller' segue o tradicional estudo sobre a 'cauda longa' que, com as novas tecnologias gerando progressivas reduções de custos e facilitação de acesso a todo conteúdo, está sendo completamente subvertido.
A análise feita por Halime Musser traz uma narrativa objetiva e clara, sem muitos termos técnicos, possibilitando uma fácil compreensão do assunto, exibindo o comportamento do mercado editorial da segunda metade do século XX até o presente, em que todos os conceitos de mercado até então vigentes estão sendo postos à prova. Como o próprio título já adianta, o livro deveria ser um 'best-seller' para quem se interessa pelas intrincadas forças que atuam no meio cultural.
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