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- Magno, Simone. Avelã pirata. Petrópolis: Lunik/KindleBookBr, 2011
Simone Magno, escritora e jornalista, blogueira oficial do Tempo de Letras, que acaba de lançar pela Grua Livros o seu belo 'A lua depois do gravador', reedita pela KBR seu livro de estreia, Avelã Pirata, em ebook, só para mostrar novamente que nem de textos claros e objetivos vive uma jornalista.
Aqui, Simone explora os significados para além das palavras, mergulha para encontrar reflexos e possibilidades, pedaços de histórias possíveis. Usa recursos de cinema e adota a estética de Pagu para espiar o que mora do outro lado dos muros que tapam a visão do leitor comum. Houve quem dissesse que a poesia de Simone é filha da Semana de 22. Imagino-a antes disso, nos anos loucos do pós-guerra em Paris. Talvez delírio de quem acaba de ver Meia-Noite em Paris, mas uma impressão bem forte de que, talvez, toda essa liberdade que se encontra em 2011 também fosse algo de comum em certos redutos do louco romantismo de 1919.
Entre árvores cristalizadas e folhas fugidias, Simone dá-se ao prazer do fascínio, flerta com a incoerência da ficção, liberta dos grilhões do lead jornalístico. Na poesia, ela se descobre, só para subverter a ordem das perguntas e, lendo 'notícias desesperadas / mortes / e que se dane', ela sabe que está sempre preparada. Para o que der e vier.
É preciso encontrar a poesia em exercícios, seja recombinando os versos, seja somando as estrofes ou encontrando a poesia dentro da prosa de Simone. O leitor parte então em busca da autora, e de cada narradora a quem ela dá voz, se comprazendo com a união exata de tradição e vanguarda (e aqui, não falo da vanguarda exposta e prostituída, mas do sentido original, da postura em avant-garde, atenta às novas possibilidades da linguagem e de sua difusão). Ao mesmo tempo que descobre suas coxas suadas, lembra que imaginava num traço à mão, 'ele lindo, ela nua / fogem nos sonhos / sempre novos', sem vergonha de reconhecer que, sim, numa autora moram muitas mulheres de variadas idades.
Apesar do 'medo da vida incontrolável' Simone sabe que não há remédio senão permanecer, suave e preciosa feito avelã, e navegar, sozinha e destemida, feroz, talvez um tanto ferida, com um monóculo para ver adiante, inteiramente pirata... mas no melhor sentido da palavra.
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