Sexo, tempo e poesia

 

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por Paula Cajaty e F. Freitas

O protagonista é um escritor quarentão, cínico, debochado e cara-de-pau. Seu maior inimigo é a solidão que o aterroriza. Joana é uma jovem de 21 anos, estudante, biscate e aproveitadora, que se oferece através de e-mails com textos depravados e fotos de seu corpo.

Joana não era uma mulher qualquer que escolheu um homem qualquer: ela era uma amante da literatura que escolheu seu escritor favorito. Ele não seria capaz de recusar uma proposta como essa. A partir do encontro em um hotel velho no Largo do Machado, de uma  "noite de chimpanzés", o improvável acontece.


 

Os dois saem pela cidade, enamorados, param em bares, caminham de mãos dadas e fazem juras de amor para sempre, sobre o pano de um Rio de Janeiro iluminado. Ele já imaginava tudo: seriam felizes juntos. Pelo menos era o que o pensava até saber que, com a pílula do dia seguinte, Joana matou o fruto que viria desse amor e o joga em um abismo.

"Por que Joana apareceu na minha vida? Disse que iríamos ter filhos, fazer compras no supermercado juntos, ela ia ser minha mulherzinha e eu a protegeria nos dias mais tristes, ela me fez acreditar em dias de chuva".

O escritor descreve sua amargura, seu desequilíbrio, e a última coisa que lhe resta é o livro, escrito a contragosto, sobre o modo como perdeu o amor de sua vida. 

Ao longo da história, o leitor se pergunta inconformado "Por que Joana o deixou?". O leitor não compreende, assim como incompreensíveis são todos os amores não correspondidos. Marcelo traz a experiência feminina para o corpo do protagonista, e ele atravessa o terror da perda, do desamor, do abandono. A repetição, longe de cansar, intensifica a dor, a incompreensão, e sobretudo a solidão que habita e apavora - desde tempos imemoriais - todo ser humano. 

Mais...
- a bela caricatura do amigo Marcelo Mirisola, presente do ilustrador Danilo Marques para o site paulacajaty.com e para os leitores do boletim Leituras: