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Créditos: Rogério de Andrade

 

Marcos de Andrade, de Passo Fundo, RS, optou pela publicação virtual e já postou 99 textos no Recanto das Letras antes de alçar seu voo em papel. Depois de participar de várias coletâneas de contos, da Editora Novitas, Marcos prepara seu primeiro livro solo e conta os desafios e as maravilhas de migrar do virtual para o real.

 

Paula: Boa parte de sua produção escrita está publicada na web. Como você vê a internet enquanto propiciadora de novos autores e instrumento de acesso à leitura?

Marcos: Paula, hoje a maioria das mídias usam a internet como forma de propagação de suas informações, quer sejam televisivas ou auditivas. O rádio, com o surgimento da internet passou a fornecer informações em tempo real, em franca competição com a televisão. Ora, se as mídias já conhecidas, que tem um alto poder financeiro se vêem necessitadas de usar este meio, ou melhor, de explorar este meio, posto que atinge, hoje, uma população (inclusive a indígena) numa escala talvez maior que a mídia já conhecida, como o autor não poderia estar inserido aí? Á minha vista, a internet é a propaganda direta, é a forma de se dar visibilidade ao conteúdo, independente de quem seja o autor. Muitos dos ditos excluídos, ou por sua condição financeira, ou por condições físicas (pessoas com Síndrome de Down, por exemplo), se auto-excluem. A internet os coloca no mesmo nível das grandes mídias, guardando-se as devidas reservas. Se você acessar a internet e em um site de busca procurar por clube do autor, centro do autor, autores anônimos, quem quer ser autor, autores desconhecidos, etc, você vai encontrar inúmeros sites e inúmeras pessoas que “estão no mercado”. Assim, posso dizer, sem pestanejar, que a internet, até que surja algo novo, é a maior ferramenta de inclusão social que viabiliza a leitura de inúmeros e diversos textos, de diversas etnias, classes sociais, de pessoas de diversas idades e credos, sem esse “sinal” marcado na testa “eu não tenho um nome construído” e ajuda ao indivíduo a criar um nome, por assim dizer.    

Paula: Além de publicar seu conteúdo online e em revistas específicas literárias, você  também participou de coletâneas organizadas pela editora Novitas. O que há de mais desafiador nessas atividades que você desenvolve no meio virtual? 

Marcos: É aquilo a que eu me referi antes “Criar e manter um nome”. Além de escrever é preciso que você seja visto. No universo da internet, ser visto é algo muito difícil e importante. É uma busca diária. Assim como eu, que encontrei pessoas e meios de entrar no meio, me perdoem a redundância, todo aquele que quer deve buscar. Primeiro devemos exercitar o buscador que há em nós. Existem inúmeros sites que apóiam o novo, aquele que ainda é um “joão ninguém” no meio escrito. Essas pessoas, esses sites, esses blogs, esses amigos virtuais, são a porta de entrada no mundo literário. Não fosse a web, talvez hoje eu estivesse distribuindo panfletos, com um alto custo de manutenção, para ser conhecido, um pouco, no município onde moro. Em virtude da web tenho amigos em Brasília, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, e muitos outros estados, que serão meus divulgadores. Mas, em se tratando de textos, o mais desafiador é agradar a gregos e troianos (ainda não conheci ninguém que tenha conseguido).   

Paula: Qual a dica mais valiosa para autores jovens e inéditos em papel que estão começando a lidar com a internet?

Marcos: Buscar se auto-inserir. Estar por dentro das notícias do meio. Ter coragem de mostrar seu trabalho e escrever, escrever muito e para quantos sites e blogs puder e, depois, quando já estiver familiarizado com o meio, escolher alguns poucos desses sites ou blogs nos quais escreve e divulgá-los a amigos, conhecidos, e toda pessoa ou entidade que puder. As novas editoras e as grandes editoras estão aí buscando o novo, o inédito ou o inusitado já que, como dizia Cazuza, o tempo não pára.

Paula: Em breve, você  publicará um livro solo. A par das seduções da internet, quais os benefícios de ser publicado em papel por uma editora convencional?

Marcos: Foi por meio da internet que fiquei conhecendo o miniconto, o e-book, a newsletter, e tantas outras formas de escrita e divulgação da escrita. Parece incrível, mas quem não vive no meio acaba por desconhecer formas e termos do meio. Creio que a internet tem me dado conhecer, ser conhecido e estar discutindo o assunto literatura em chats, bate-papos, fóruns, etc. Mas ela é uma mídia que, a meu ver, está relacionada diretamente aos textos curtos, o que inviabilizaria a leitura de um livro extenso – um Senhor dos Anéis, por exemplo. O papel impresso empresta satisfação diversa ao autor. Dá ao leitor a possibilidade de levar consigo o bem físico, emprestá-lo a quem quiser, presenteá-lo a quem quiser. Esses, talvez, os maiores benefícios da coisa física. O leitor contumaz cria um vínculo com o objeto de leitura. Pessoalmente, se vejo um texto na internet e gosto, para minha maior comodidade, costumo imprimí-lo. Principalmente se é um texto longo. Assim, estou em contato com o objeto de desejo (a leitura) a qualquer momento, quando bem quiser. Conheço muita gente que lê sentado no “trono”, no banheiro, como eu, mas não conheço ninguém que leva seu notebook. Enquanto não inventarem um substituto para o papel (que me perdoem as árvores), esse ainda é o meio mais prazeroso de se ter uma boa leitura. A esposa de um dos escritores que mais admiro e com quem me identifico em breve palestra via internet, diga-se de passagem, me exortou a não publicar por conta, ou seja, a não pagar para ser publicado, dando suas razões para tal posição. Mas, com o devido respeito à posição por ela tomada, meu entendimento é diverso. Quando editamos um livro, mesmo pago, com uma editora que está começando, estamos começando juntos e a possibilidade de crescermos juntos é muito grande. O inferno e o céu são iguais, a diferença é que no segundo uns ajudam aos outros. Aqui meus agradecimentos a Novitas pelo espaço e apoio na publicação do meu livro solo Meleca, a bruxinha sapeca, que sairá, muito provavelmente em fins desse ano. Meus agradecimentos especiais a ti Paula, pelo espaço e apoio que me são dados.