Sexo, tempo e poesia

 

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Edney Martins
Edney Martins é o profissional imprescindível dentro de qualquer organização ou networking: além de plenamente comprometido com o ideal da expansão cultural - que ele considera estar no estágio semelhante ao da era pré-celular - , é ele quem faz render a pouca grana que as ações culturais precisam gerir. Sabe olhar para uma organização como um todo, e tem habilidade suficiente para jogar os malabares sem cair do trapézio. Edney reconhece no Rio um pouco de sua Belém natal e, apesar de não compreender os cariocas que misturam açaí com outras frutas, acredita que algumas misturas de paraenses e cariocas podem dar certo, fazendo planos para uma nova revista e um novo ritmo de verão. 


 

 

Paula: Edney, quando nos conhecemos, você estava trabalhando na re-estruturação da Casa Poema. Você acha que os espaços de cultura no Rio de Janeiro ainda precisam de um olhar mais profissionalizado, e de maiores investimentos, por parte dos empresários, para que possam alcançar melhores resultados de crítica e público?

Edney: Investimento em cultura nunca é demais, ainda mais quando falamos de Brasil, mas todos sabemos que os recursos nessa área, especialmente os públicos, ainda são muito escassos, por isso uma gestão mais atenta dentro desses espaços permite que a limitação do recursos não signifique limitação de criação inovadora, que é o que nos alimenta além do pão. O que vejo é que alguns espaços vão descobrindo oportunidades a partir de uma maior observação do movimento da própria sociedade, identificando nichos e investindo nisso, e podemos ver isso acontecendo com o Solar de Botafogo e também com o Rival, que nos brindam com a criação de momentos no meio da semana e dando espaço para uma nova leva da produção musical aqui no Rio. Na cena de São Paulo, não dá para deixar de destacar o Studio SP, com o Alê Youssef à frente, que surge como um multi espaço dando novos ares ao conhecido "baixo Augusta". E para quem acha que isso não vai muito longe, não custa lembrar que a Teresa Cristina começou cantando no Semente, e isso contribuiu também para o (re) nascimento da Lapa que vemos hoje.

 

Paula: Você tem formação na área jurídica e empresarial, com uma visão global sobre projetos, marketing e estrutura administrativa e jurídica. Isso é uma raridade no meio literário-editorial, inclusive no eixo Rio-SP. A multiplicidade de talentos e conhecimentos é um diferencial, em áreas que sofrem uma especialização excessiva?

Edney: Considero que estamos construindo um mundo novo, e vejo que essa formação diversificada é um diferencial que permite a criação de links entre diversos ambientes: criativos, empresariais, comunitários...identificando oportunidades de parcerias e potencialização de resultados. Em um mundo cada vez mais múltiplo como o que estamos, uma especialização muito focada pode ser um elemento que dificulte esse tipo de observação, esse "casamento" de linguagens e, o que é muito importante, a viabilidade desses pontos. Além disso, com a multiplicidade do olhar, concedemos mais chance de sucesso à criação de novos caminhos.

 

Paula: Além de sua formação eclética, orgânica e abrangente, você ainda fez o curso de Publishing Management na FGV no biênio 2009-2010. Na sua ótica, quais foram as suas expectativas com o curso, no que ele te atendeu, te surpreendeu, e no que ele poderia melhorar?

Edney: Amo livros, mesmo não sendo um leitor voraz. Sou dos que passam horas em uma livraria, folheando os que mais me chamam atenção, lendo algumas páginas, sentindo aquele clima delicioso que todos sentimos quando estamos em uma Argumento, em qualquer unidade da Travessa, no Rio, ou no "templo" Cultura em São Paulo, mas sempre tive um olhar para a arrumação das gôndolas, a escolha dos títulos que ficam em destaque, quais os mais vendidos, tudo o que envolvia a cadeia de negócios do livro, por isso vibrei quando soube do curso da FGV, porque poderia aprender sobre esse mundo tão reservado a um número ainda reduzido de pessoas, e gostei de que vi, ouvi e aprendi lá, porque considero que, guardada as devidas proporções, o Brasil encontra-se no mundo dos livros como estava para o celular na época em que ainda declarávamos ações de telefone no IR. Se pretendemos mesmo ser o país que tanto ambos os candidatos falaram na última eleição para presidente, esse caminho passa pela educação, e ela não é feita sem os livros, seja lá de que forma (ou plataforma, como gostam alguns) ele se apresente para nós.


Paula: Além do trabalho de re-organização administrativa, que exige intuição, atenção às demandas do cliente e muita sensibilidade, você tambem assina um blog. É um espaço de expressão e comunicação, ou pretende ser o início de uma nova etapa do seu trabalho no meio literário-editorial?

Edney: Meu blog é um ambiente por meio do qual eu conto algumas das impressões que colho por onde passo, e uma forma de interagir com esse meio de mídias múltiplas que cada vez mais se firma em nosso dia a dia. Gosto de conhecer para saber como podemos utilizar esses recursos para difundir os conteúdos que temos, e nesse sentido isso está sim alinhado com o que busco construir dentro do mundo dos livros. Tenho visto e descoberto muitas possibilidades ali e também por meio dos perfis que mantenho em outras redes, como Facebook e Twitter, que facilmente viram um vício (rsrsrsrs). Mas confesso que não tenho pretensões literárias como escritor.


Paula: Agora, a pergunta que eu sempre tive vontade de te perguntar: o que é que tem de bom no Pará e nos paraenses, que você acha que faltam ao Rio e aos cariocas?

Edney: (rsrsrsrsrsrs) O Pará e o Rio são muito próximos, assim como os paraenses e os cariocas. Em alguns momentos, integrantes de famílias tradicionais de Belém migraram para o Rio, o que criou uma ponte afetiva importante entre esses dois lugares. Este ano ainda tive a alegria de viver o Círio de Nazaré, nossa padroeira, aqui no Rio, então esse casamento ficou ainda melhor. O que não consigo entender é essa mania de açaí misturado com outras frutas, mas aí a diversidade é um valor que explica tudo e acabamos seguindo ao som de carimbó e samba...olha aí, quem sabe surge um novo ritmo para o próximo verão!? (rsrsrsrsrs)