DOBRADA
na infância
menina ainda
ficava de castigo
na lavanderia:
toalha,
dobrada.

também nas melhores livrarias.
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@luisguggen um animal dirigindo um caminhão enorme bateu. Mas o trânsito ruim continua... :-/
@luisguggen Ta mto ruim... Ainda nao descobri o motivo... Depois conto.
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- Couto, Mia. O fio das missangas: contos. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
Certos livros têm o condão de abreviar silêncios. Outros, no entanto, são capazes de aprofundá-los. Diante dessa dicotomia, Mia Couto mostra bem quais são suas opções. Não lhe bastam palavras para entreter leitores ávidos: Mia busca exprimir o inexprimível, busca dissecar uma parte da mística folclórica de sua terra africana, desfiando-a para que nós possamos catar suas contas, ou melhor, seus preciosos contos.
Em 'O fio das missangas', publicado originalmente em 2004 e lançado aqui no Brasil (somente) em 2009 pela Companhia das Letras, encontro um despenhadeiro de maravilhamentos, em contos que se revelam quase-parábolas, histórias tecidas em fantasia que apontam proa ao eterno e ao cerne de cada um de nós.
Por 29 vezes, o leitor é posto à prova consigo mesmo, é questionado a cada frase exata, a cada constatação inescapável, a cada parágrafo que se alça ares de estrofe. Como se não bastasse a fundura dos sentimentos, expostos e esmiuçados até que se entreguem aos olhos do leitor, Mia faz uso do rico vocabulário de sua terra, misturado a um português castiço que há muito não ouvimos.
Quase se escuta a voz de cada um dos personagens, sussurrando suas vidas romanescas no lusco-fusco do abajur, à cabeceira da cama. Mia Couto adentra nos silêncios, vinte e nove vezes, e sua palavra é semente que cresce frondosa por dentro, feito uma árvore de poesia.
Falo em poesia porque as palavras de Mia guardam surpresas, novas significações, ricos achados. Bastam algumas poucas linhas de sua prosa para que o leitor penetre em cada narrativa e a ela se una com força e fé. O escritor, filho de um poeta e uma contadora de histórias, domina sereno um realismo mágico e único que se derrama em cenas marcantes e inesquecíveis, como em 'Inundação', 'O homem cadente', ou 'A infinita fiadeira'.
Nesse seu 23º livro, apesar do escritor exibir toda sua maturidade literária, ele próprio revela em entrevista dada por ocasião do lançamento no Brasil, a dificuldade cada vez maior nesse rasgar do peito em confronto consigo mesmo, ato essencial que precede e justifica sua escrita.
'O fio das missangas' é verdadeiramente um regalo. No entanto, longe de ser uma bijuteria barata para se exibir entre espelhos e convivas, dessas que descascam ou perdem a cor, as missangas de Mia são joias, daquelas que as mulheres escondem bem escondidas num cofre ou fundo de gaveta, para com ela se deliciarem em seus momentos mais solitários, mais silenciosos.
É que não se trata de um gosto passageiro ou descompromissado. Ler Mia Couto é um prazer refinado, único e perene, próprio de quem sabe pedir mais.
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