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Sexo, tempo e poesia

 também nas melhores livrarias.        

 

 

Afrodite in verso

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  • paulacajaty

    @EdneyChapaQuent centro-leblon em 1h30. Lindo de morrer. To aqui na DaConde, com fooome, lembrando dos 'eguis' do X-Tudo-King... aaaaa

    by paulacajaty about 3 hours ago

  • paulacajaty

    @EdneyChapaQuent se eu fosse a pe, chegava mais rapido... Affff

    by paulacajaty about 3 hours ago

  • paulacajaty

    @EdneyChapaQuent :D bom te achar aqui!!! To indo pro lcmto do Castello. Mas o transito chato de ipanema nao ta deixando. :-/

    by paulacajaty about 3 hours ago

  • paulacajaty

    @Tchirp lindaaaaa!!!! Obrigadiiiiisima, darling. Adorei... Amanha eu posto na minha primeira pagina!!! E te respondo por email. Muitos BJOS

    by paulacajaty about 3 hours ago

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Críticas

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- Neves, Claudio. Os acasos persistentes.Rio de Janeiro: 7Letras, 2009.

O segundo livro de Claudio Neves caminha sobre mistérios. O mistério do amor etéreo, o mistério do amor consumado, o mistério da morte enquanto porta que se abre.

O prefácio de Victor Oliveira Mateus, exímio poeta lisboeta, assombra o leitor incauto pela precisão e pela virtude de dissecar o texto sem, contudo, tirar-lhe a vida e a essência.

Já nos primeiros versos de Claudio Neves, ou melhor, em suas primeiras peças, se mostra evidente a genialidade do projeto, da ideia central à sua consecução: o livro é uno, coeso, infinito. Não há nele os famosos 'altos e baixos'. Auto-suficiente, não há uma palavra a ser acrescentada, não há uma pontuação que sobre. Ainda sob a vista mais crítica de um leitor exigente, o poeta se ergue olimpianamente e mostra que sua poesia beira o eterno.

Amor e Morte são enfrentados nos Acasos Persistentes de Claudio como conceito, possibilidade, latência, para depois serem experimentados na carne, na limitação da vivência, do tempo, do real. Só após a morte, ou o esgotamento, é que se resgata a possibilidade de começar de novo, do nada.

O crítico Odorico Leal, no arquivo de seu blog, percebe com bastante sensibilidade que no livro o poeta, 'rompendo com a forma do hai-kai, consegue capturar sua natureza, o que é bem mais importante'.

Há, realmente, substantivos que orbitam o livro, como um ecossistema que sobrevive por si só e, com essas palavras que reincidem no texto, Claudio alcança reproduzir o universo, assim dispondo-as feito planetas em elipses à volta da estrela-poesia. Talvez aí esteja a filosofia do haicai, captada pelo artista: a eternidade que reside na repetição de algo imemorial e inato (na peça 13, '... mas sempre há um pardal / cortando o crepúsculo / em curva precisa').

A quarta capa de Antônio Carlos Secchin, distanciando-se dos rigores linguísticos do prefácio, dá uma pista sobre a combustão que se vê nos versos do poeta: 'As 30 peças de Os acasos persistentes compõem um dos mais consistentes e bem realizados mosaicos de nossa poesia recente. (...) Como todo efetivo criador, ele sabe que a poesia é o reino de assédios e aproximações que jamais se concretizam (...)'

A maior poesia de Claudio Neves está em extrair beleza do inesperado ou, ainda, encontrar o inesperado que as coisas mais simples oferecem. Pois são justamente esses acasos persistentes, essas memórias que recusam a se dissipar e que se guardam por reflexos em espelhos mágicos, a poesia exata que nos desperta, emociona, lacrimeja, e dá vontade de começar de novo, do nada.

 

Mais: entrevista com Claudio Neves.

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- Ramos, Rosane Carneiro. Corpo estranho. Rio de Janeiro: Editora da Palavra, 2009.

 

O corpo de Rosane flerta em Barcelona. A orelha de Leonardo Vieira de Almeida adverte das amálgamas entre palavra e carne, entre a poesia e a dança flamenca das calles góticas da Catalunya.  A quarta-capa de Antônio Carlos Secchin referenda esse signo da interioridade, da palavra poética como emanação de um eros que se esconde em todo corpo vivo. Na verdade, ambos dão a pista certa, embora sob seus enfoques peculiares.

A epígrafe de Paul Valéry dá a terceira chave para a compreensão do que há de enigmático no Corpo poético de Rosane: 'A observação do artista pode atingir uma profundidade quase mística', de modo que Rosane acredita firmemente que os objetos se transformam de acordo com a alma, o olho e a mão de cada observador.

Partindo dessas três premissas, as palavras e os versos de Rosane bailam entre seus temas prediletos: a gênese, o corpo, a arquitetura da matéria, a vibração espírito, esse etéreo que permeia e reside em tudo. Às vezes, ela faz uso de poemas em fluxo contínuo de pensamentos, na respiração intensa de quem está em movimento. De outras vezes, Rosane escreve intercalada, respira em pausas ritmadas, enquanto questiona a fronteira entre o corpo e o universo e examina as fronteiras dos desejos internos e imponderáveis, como se pudesse testemunhar o big bang.

As citações a Gaudí, Tanussi Cardoso e Amy Winehouse mostram como a poeta sabe encontrar a tradição na modernidade, e unir tudo dentro de si numa só significação perfeita e harmônica. Em Rosane não há dicotomias: a unidade se faz no corpo santo que se move em danças, na dança pagã que se escreve em corpos.

A poesia de Rosane lembra o que de estranho exsurge de nós - e nós nem sempre temos a lucidez necessária para reparar. ¡Olé!

 

Veja mais: resenha elaborada por Elaine Pauvolid para o JB; entrevista da autora para o site Momento Lítero-Cultural.

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- Siqueira, Mauro. De vermes e outros animais rastejantes. Rio de Janeiro: Editora Multifoco, 2008.

Mauro Siqueira é da década de 80. Ou quase. Mas o certo é que entrou de cabeça na internet do século XXI. Para ele, não basta twittar, facebukar, blogar (mais recentemente, no blog coletivo O BULE), criticar, e escrever de todo jeito que se permite nesses dias. Seu ranking no twitter nos conta que, dadas as proporções do mercado editorial, Mauro é o que se pode chamar de um 'formador de opinião'. E dá-lhe rede social! Mas ele não é apenas o assessor editorial que veste a camisa e usa as bolsas charmosas da corujinha da EdUERJ. Ele, que já foi um livreiro de mão cheia, também quis experimentar o terceiro pé do mercado editorial: o posto de escritor.

'De vermes e outros animais rastejantes' é um nome difícil de entender. Mauro até tenta explicar, dizendo que seriam 'pessoas em situação limite'. Suas razões não são suficientes. 'De vermes' voa além. Apesar de notar que Mauro entra de salto alto, ele vai começando a bater um bolão à medida em que os contos vão se seguindo. Como se aprofundasse o estilo no decorrer do próprio livro, como se aprumasse a pena (o teclado) e ficasse mais à vontade diante do branco.

O livro é uma festa de referências cinéfilas, musicais, retrôs, literárias... E o que começa com um certo pudor, como textos mais puxados para uma espécie de 'Cães de aluguel', vai se tornando meio 'Almodóvar' pela metade, em certos momentos fica cerebral feito 'Woody Allen', chega a citar o 'The Cure' e histórias milenares dos homens-aranha, e fecha com o nonsense meio-KillBill, com uma alegoria própria de um Tarantino. Enfim, reúna tudo o que a geração 70 e 80 viu até hoje. Bata no liquidificador. E assim Mauro chega à batida perfeita.

Talvez ele não tenha imaginado esse o efeito para o livro, essa mixagem de influências. Ou talvez tenha. Talvez a obviedade de falar sobre a 'epifania' que um conto precisa ter lhe soe clichê demais. Mauro alcança as anti-epifanias, ou seja, de repente é a ausência de significado (de repente é a gratuidade das coisas) o que nos deve deixar boquiabertos. E ele acerta o alvo. Simples como um 'cima, cima, baixo, baixo, esquerda, direita, esquerda, direita, xis, xis, bola, quadrado, START' no controle de um videogame.

Depois disso, não adianta pegar pistas no Prefácio, não adianta pedir para Mauro explicar, mais outra vez, o fio condutor do livro. Para mim, 'De vermes...' tem um significado especial e único, uma reflexão própria e dialógica, uma vibe rara de se encontrar nas livrarias.

 

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- Elias José. Cantigas de amor. il. Andréa Corbani. São Paulo: Larousse do Brasil, 2006

 

A poesia tem disso: nem sempre tem destinatário, público-alvo, delimitação de idade. Ela é escrita como água de rio, que nunca supõe por quais margens vai passar, quantas curvas vai fazer, ou qual será seu último paradeiro. Elias José, poeta prolífico que chegou a ser premiado com um Jabuti, sabia disso. O mineiro nascido em Santa Cruz da Prata sabia vender poesia: seus mais de 100 livros publicados e 3 milhões de livros vendidos e a existência do Instituto Cultural Elias José, comprovam bem isso.

Em 'Cantigas de amor', o poeta nos explica qual o ritual para se receber a poesia quando ela nos visita, e onde encontrá-la: olhando e tocando tudo o que nos cerca. O livro traz uma alegria descalça, um sorriso suave feito felicidade-menina, coisa de criança. O poeta nos lembra dos porvires de um garoto, do medo sapeca e corrido das ondas, da paixão que se guarda nas mãos dadas.

Como o próprio poeta diz, quando se ama, 'tudo cheira a flor', tudo 'toma gosto de doce', e então 'vem um som de valsa'... 'e tudo o que se toca encanta / quando os olhos descobrem / a beleza de ver além...'

É com essas palavras suaves e delicadas que Elias andava pelas bordas do lirismo do amor pré-adolescente, onde a idealização e a admiração são as luzes que tornam o primeiro amor mais vívido, mais radiante, único e diferente de todos os demais.

Entre as leituras, uma de suas boas lições é eterna: 'quando a poesia o visitar / cedo ou tarde da noite, / deixe todas as obrigações / e se envolva no sonho / e na fantasia. / Pense o que será da vida / se um dia a poesia secar.'

Elias não está mais entre nós para entoar, baixinho, suas belas cantigas, mas já mostrou que sua vida com a poesia, foi tudo - menos seca.

 
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A aventura do 'odisseu' Oleg Almeida. 

- Almeida, Oleg. Memórias dum hiperbóreo. Rio de Janeiro: 7Letras, 2008.

 

Observei de início a orelha de Marco Lucchesi, a quarta capa de Antonio Cícero - o livro seria algo de filosófico, linguístico e extremamente grave, profundo e clássico, um mar de Circe a singrar. Deixo a biografia do autor para mais tarde e abro o livro afoita, disposta à viagem que se apresenta.

De início, reparo que Oleg Almeida sente na pele a máxima de Marcel Proust, 'a verdadeira viagem não está em sair à procura de novas paisagens, mas em possuir novos olhos', e assim começa por buscar significâncias - novos olhos - para si e para a sua terra, uma terra de tão-tão-longe, inatingível e inimaginada por seus recém-compatriotas, pátria que guarda as chaves de sua infância e juventude, de sua melancolia, lar dos seus mais queridos.

'Eu nasci muito longe daqui,/ lá no norte severo,/ na terra beata dos hiperbóreos/ além deste mar bravio situada,/ inatingível'. Oleg se apresenta nômade, peregrino, estrangeiro de tudo, e novamente lembro de Marco Lucchesi a avisar de que encontra nele 'outros modos de conjugar exílio e memória, de seu mediterrâneo que são dois'.

Logo em seguida, o poeta conta que 'houve seis cores no meu passado'. Uma dúvida perpassa meu corpo feito um calafrio. Quantos anos terá Oleg? Ora me parecem 30, ora me parecem 80, ora parece que o texto se desprende do tempo. Talvez, eu suponho, para quem amadureceu por detrás da Cortina de Ferro e sobreviveu à queda do regime soviético, Oleg guarde a eternidade em suas mãos, ou, aliás, contenha 'a gota de tinta lilás que balança na ponta da pena divina'.

Segue o livro. Nova dúvida, novo calafrio: de onde mesmo é Oleg? Ele havia me contado algo sobre a Rússia, mas agora já parece ter vivido nos confins da Grécia rural, ou da grande Roma decadente. Diante do livro, já sem registro de região, agora também sem tempo, Oleg não tem espaço e hora. Fora de sua terra natal, não é mais do que um indivíduo comum a se lembrar dos últimos dias de seu regime, do ocaso de sua própria estirpe. O autor não oferece registro de sua pátria verdadeira, pois, como confirmava Descartes, 'quando gastamos tempo demais a viajar, tornamo-nos estrangeiros no nosso próprio país'. Oleg apenas dá pistas sobre o que seria a Bielo-Rússia, através das tintas gregas e romanas, e principalmente, através das tintas que recobrem as casas de sua infância.

Minha maior curiosidade era mesmo de saber como seriam e como viviam as pessoas do lado de lá - terra estranha, misteriosa e intransponível, onde qualquer leitura se fazia impossível ante os símbolos cirílicos. Oleg constrói esse lado-de-lá entre histórias emocionantes e comoventes, identifica a 'Queda' de um regime com a queda de vários outros, Grécia e Roma dentre eles, deixando apenas entrever o que passou. Algo que não é dado a se apreender, apenas se vê, se vive, se sobrevive.

Continuo a leitura, estupefata. A fuga da Grécia, que o poeta retrata, parece predição e profecia, enquanto os jornais falam sobre os PIGs, socorros de bilhões de euros, dinheiro do mundo inteiro para acertar a dívida grega no 'cheque especial'. Corri no mapa, para descobrir se a Bielo-Rússia fazia fronteira com a Grécia (ai, minhas distantes aulas de geografia...), imaginando que os ventos de lá contassem algo ao autor por através dos Muros, esses segredos que atravessam distâncias.

Mas não, o país de Oleg é mesmo muito distante, quase inexistente no mundo possível: não há fotos de suas torres, de suas pontes, de suas enseadas, de suas ruínas, nos jornais de turismo. Há apenas o que Oleg registra, e seu texto 'é' e 'está' onde as palavras assim o dizem.

'Memórias' continua sua alegoria nos dois planos espaço-temporais, reunindo registros pessoais travestidos de ficção, e usando como paisagem um acontecimento histórico que data de uma época bem remota - destruição da próspera cidade de Corinto pelas tropas romanas em 146 a.C. Em Corinto, o poeta guarda seu passado, infância e adolescência vividas em paz e segurança no regime em decadência. Em Alexandria, o presente e o desterro, com todos os desafios de uma viagem que não tem fim.  

Mario Quintana contava que 'viajar é mudar o cenário da solidão', e 'Memórias dum hiperbóreo' retrata, à perfeição, exatamente isso: a solidão intrínseca dos viajantes e daqueles que, mesmo estabelecidos em residência fixa, estando fora de seu lar, permanecem vivendo como Ulisses - em eterna viagem.  

 

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