Sexo, tempo e poesia

 

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Hora de brincar

Um espaço para Leiturinhas

A inauguração de um espaço dedicado só para o segmento de livros infantis e juvenis é uma vontade minha bem antiga.

Coincide com a primeira vez, depois de muito e muito tempo, que voltei a ouvir histórias. Histórias que, apesar de infantis, nem sempre são só para crianças.

Coincide, também, com a responsabilidade tamanha de despertar em crianças  o amor por livros e boas histórias,  de intermediar esse amor, de apresentar à criança essas experiências sensoriais que podem ser adquiridas. Coincide com a expectativa de agradar, com a frustração de ver um filho torcer o nariz para 'aquele' livro que emocionou tanto, com a angústia de ver uma filha se interessar por um livro da 'Barbie etcetera'. Coincide com todo esse aprendizado que só a maturidade e o tempo é capaz de trazer.

Essas Leiturinhas têm a ver com a essencialidade de certas histórias para a nossa vida, com o resgate desse olhar desarmado e livre de pré-conceitos. E, também, porque não, também diz respeito com a coincidência deliciosa de ter amigos que misteriosamente inventam histórias - como até eu sei fazer de vez em quando, numa noite de brincadeiras - e de conhecer de perto a Lygia Bojunga, a Ana Maria Machado, o Luiz Raul do João Teimoso - meu primeiro e inseparável amigo 'menino' entre tantas bonecas.

As Leiturinhas não estão no diminutivo porque sejam pequenas ou superficiais. Longe disso: são imprescindíveis! O diminutivo existe pelo carinho com que as tratamos: as leiturinhas que fazíamos quando o mundo ainda era misterioso e divertido, surpreendente e arrebatador.

De verdade, nunca houve falta de vontade, ou preferências, ou desdém, mas ausência de oportunidade.

Mas a oportunidade foi aparecendo devagarinho. Primeiro foi trazendo o amigo Márcio Vassallo, a Janaína Michalski, e depois a amiga Flávia Lins e Silva, a Sandra Ronca, o Danilo Marques, a Marília Pirillo (eles que desenham essas belas histórias inventadas), e a Adriana Lisboa, a Ana Cristina Melo, a Anna Claudia Ramos e daí por diante. A quantidade dos amigos é tanta, e seus trabalhos tão sérios e importantes, que eu passaria o post todo para citar todo mundo...

E a oportunidade escancarou de vez as portas. Entre conversas aqui e lá, com o Márcio, Janaína, e Ana Cristina, faltava apenas que eu me conscientizasse que, quando não dá para fazer tudo, a gente pede ajuda. Eu pedi, e a ajuda chegou.

A princípio, estão envolvidos no projeto eu, a Janaína Michalski (que ficou de mandar textos ou de liberar textos que eu pescasse no blog dela), o designer e fotógrafo Mario Tadeu, e a Fernanda Freitas, produtora editorial, que chegaram para somar com o site e com tudo o mais. Também a princípio, vou misturar todo o conteúdo e as diversas autorias, sob a aba Leiturinhas e no boletim Leiturinhas, mas sem colocar os posts na página inicial, para não confundir ninguém, já que a segmentação sempre facilita para se encontrar o que quer, e mais rápido.

Aos poucos, devagarinho, as seções irão surgindo por si sós e a gente vê como cresce e amadurece.

Mas agora, nesse exato momento, a gente deixa de papo furado.

É Hora de brincar!

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Organize sua agenda

- na Estação das Letras, tem 'A escrita e produção de textos para crianças' e 'Curso avançado de Literatura Infantil', com Ninfa Parreiras, de agosto a novembro.

- nos sábados de agosto, também na Estação das Letras, os seminários de 'O mercado dos livros infantis' promete. A ideia é falar da posição de destaque do segmento, sua adoção por escolas, compras governamentais, e todas as peculiaridades que envolvem o livro para crianças e jovens. Entre os professores, Luiz Raul Machado (escritor), Roger Mello (ilustrador), Otacília Freitas (editora de literatura infantil e juvenil, atualmente na Planeta), Ana Sofia Mariz e Christiane Mello (designers), Anna Maria de Oliveira Renhack (gerente de relações institucionais, Record), Luciana Figueiredo (editora de literatura infantil) e Lucia Riff (agente literária). Imperdível!

- os Encontros da Confraria Reinações - Rio estão acontecendo na Biblioteca Machado de Assis (ou Popular Municipal de Botafogo), à noite. O próximo acontece no dia 16 de agosto, às 19h. O tema do mês é o livro 'Os lobos dentro das paredes', de Neil Gaiman. Informações no tel. (21)2551-6911.

- em setembro, tem Bienal do Livro Rio !

- Adélia Prado lança um novo infantil 'Carmela vai à escola' pela Galerinha Record. (fonte: site da Agencia Riff).

Para ler, aprender e divertir

- a publicação de 'Contos e fábulas do Brasil', de Marco Haurélio, escritor baiano e pesquisador de cultura popular brasileira (ed. Nova Alexandria) reúne contos da tradição oral brasileira e belíssimas ilustrações do artista plástico paraibano Severino Ramos. A coletânea traz contos de animais, histórias de encantamento, religiosas e acumulativas. Há, ainda, notas esclarecedoras, assinadas pelo renomado pesquisador português, Paulo Correia, da Universidade do Algarve, mostrando o percurso das histórias, o número de versões existentes nos países de língua portuguesa e os similares de outros países. Aliás, Marco Haurélio também adaptou, para jovens, 'A megera domada', de William Shakespeare, e 'O Conde de Monte Cristo'.

- Dolores Prades assumiu a curadoria da Babel Jr. Com formação em Ciências Sociais e especialização em Literatura Infantil e Juvenil pela Universidad Autónoma de Barcelona, Dolores também é curadora e coordenadora do projeto 'Conversas ao Pé da Página', e será responsável pela área de literatura para crianças e jovens da Revista eletrônica Emília, a ser lançada em breve.

- a fotógrafa Anna Skladmann clicou as crianças mais ricas da Rússia e se espantou com o precoce amadurecimento... mas um bom passo no sentido da inclusão social seria fotografar as crianças abandonadas do Rio, vivendo em pleno cartão postal, e aprendendo a ser suaves mesmo num ambiente tão áspero. Em véspera de Copa e Olimpíadas, no mínimo ia render uma boa discussão.

- ainda sobre bullying (ou pela perda coletiva e progressiva de educação à moda antiga), vale conferir o novo título 'Previna o bullying: jogos para uma cultura de paz'. Ou então devemos voltar àquela aulinha da pré-escola sobre como tratar os amiguinhos da escola... :)

- o escritor Luis Eduardo Matta acabou de lançar o livro 'O dia seguinte'. A capinha vai ao lado.


E mais...

- sobre princesas, africanas e de todo canto, para quem tem um tablet, pode baixar aqui a Revista Princesas Africanas. E, para pegar na mão, Márcio Vassallo acaba de lançar Minha Princesa Africana, um lindo projeto que envolve ilustração e uma galeria de papel machê feita especialmente por Carol W.

- para crianças portuguesas, já está disponível uma biblioteca digital com infantis inseridos no plano nacional de leitura do governo português.

- para quem ainda não se entende muito bem com ebooks, vale conferir o site EbookReader, de Ednei Procópio, um especialista em livros digitais. O site do TigreAlbino também é uma boa dica para novidades editoriais para crianças e jovens.

- a blogueira Alessandra Roscoe, do Contos Cantos e Encantos, fez uma cobertura bacana sobre a 1ª FELIT.
- para os períodos de férias (que pena! agora, só em dezembro...), uma boa dica é a Oficina de Minifotógrafos, do Ateliê da Imagem. As galerias feitas pelas próprias crianças são uma delícia, e vale bem à pena tornar os pimpolhos íntimos da vida em digital.

- e, para agradar os olhos com belas imagens, a Rue du Monde traz tudo de belo da França, em termos de ilustração infantil.  Não que a brasileira esteja atrás, não mesmo. É só ver o que o catálogo da Agência Riff prepara para mostrar em Frankfurt... 
Fontes: PublishNews, Prosa&Verso, Agência Riff, Shahid, e mailing pessoal da autora.
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por F. Freitas e Paula Cajaty

- Mururu no Amazonas. Silva, Flávia Lins e. Rio de Janeiro: ed. Manati, 2010.

 

Mururu é o nome dado a um casquinho, onde Dorinha, uma linda jovem, encantada pelo mar, navega pela imensidão. Um belo dia parte em uma viagem através dos afluentes do Amazonas, deixa sua casa, sua mãe e vai em busca de seu pai, que havia saído para caçar tracajá, mas o perde de vista e precisa seguir sozinha, enfrenta perigos, correntezas, cobras, outros animais e tempestades, com muita valentia, coisa de menina criada na natureza.

Sua viagem fica ainda mais bela quando conhece Piú, um caboclo, moço bonito, por quem se apaixona. Ao seu lado, Dorinha descobre a beleza do amor. Juntos seguem passando por muitos rios, fazendo amizades com os pássaros e distribuindo sua alegria pelo caminho.

A narrativa em prosa poética de Flávia Lins e Silva desperta a imaginação, desperta os sentidos, deixando o leitor embarcar nessa viagem ao lado de Dorinha e Piú. Aprendemos sobre a geografia do Amazonas, os afluentes e os mistérios que eles guardam, o nome de cada pássaro, cada árvore, de qualquer inseto por menor que seja. Mururu traz a Amazônia para dentro de cada leitor que, mergulhado na história, se embala com o ritmo, os sons, toda a estética própria da selva. Não foi sem motivo que Flávia Lins e Silva, além de ganhar o Selo Altamente Recomendável da FNLIJ, ganhou a premiação de Melhor Livro de 2010 para jovens.

Com uma narrativa fluente e, pela primeira vez misturando aventura com algumas pitadas de poesia, Flávia presenteia seus leitores com um livro divertido, rico e sensível. Mais do que nos ensinar sobre a fauna e a geografia da Amazônia, ela ensina sobre o encantamento que a floresta - assim como a leitura - pode guardar, e que pode exibir para quem se aventurar sobre suas águas, feito um casquinho entre essas folhas que também nascem da madeira.

 

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Organize sua agenda

- ainda dá tempo de se inscrever no Prêmio SESC de Contos Infantis Monteiro Lobato, até 29 de julho no SESC/DF. Veja o regulamento.

- no Cine Glória, todo domingo de julho está tendo programação infantil, e nos dias 24 e 31 é a vez do espetáculo Fábulas fabulosas, às 11hs.

- os 12 livros infantis que Henfil escreveu para seu filho Ivan, estão chegando aos poucos para colorir as prateleiras. Os primeiros três tiveram noite de autógrafos na Livraria Argumento, e estão disponíveis nas livrarias. Ao lado, as capas já adiantam a diversão:

- para quem perdeu o workshop 'Mover histórias: um devir narrativo' com o contador Francisco Gregório Filho, que aconteceu em julho na livraria Moviola (Laranjeiras, 280), vale pedir um repeteco, no tel. 21-2285-8339 ou no email moviolaonline@ gmail.com .

- a escritora Laura Bergallo lança 'O Xamado - Teclando com o Além', que traz uma história que reproduz conversas virtuais em sites de relacionamento, com todas as múltiplas grafias e sonoplastias do mundo internauta. Nesses tempos em que não se pensa a 'correção' da escrita, mas sua 'adequação', o livro de Laura revela em que medida crianças e jovens estão se apropriando e usando a linguagem da internet no mundo real.

- para anotar na agenda: nos sábados de Agosto, dias 6, 13, 20 e 27, está prevista uma série de palestras sobre a literatura infantil e juvenil. Sob o título 'Mercado de livros infantis: uma realidade em ascensão', a Estação das Letras organizou um ciclo de palestras com todos os segmentos da cadeia editorial para permitir a profissionalização do escritor de infantil e juvenil. Com curadoria de Ninfa Parreiras, o evento traz Lucia Riff (da agência Riff), Luiz Raul Machado (escritor), Roger Mello (ilustração), Otacília Freitas (editora), Ana Sofia Mariz e Christiane Mello (designers), Anna Maria Renhack (marketing) e Luciana Figueiredo (editora e participante do Portal PRALER/MEC), respondendo a todas as perguntas cruciais do segmento.

 


Para ler, aprender e divertir

- inaugurada a Escola Livre da Palavra, na Rua Teotônio Regadas, na Lapa, ao lado da Sala Cecília Meirelles. Quem coordena o espaço é Marcus Vinicius Faustini, oferecendo cursos, mostras e intervenções artísticas que tenham a palavra como expressão de arte.

- a escritora e amiga Stella Maris lançou, na FNLIJ, 'A menina do mercado central' e 'A guardiã dos segredos de família', premiadíssimo com o Barco a Vapor. A capa vai à direita.

 

- a escritora Ana Cristina Mello lançou a continuação de sua 'Caixa de Desejos' na FNLIJ, e conta para o Leiturinhas que acaba de participar da charmosa antologia 'Trem de Histórias', com o mote nas estradas de ferro. À esquerda, a capa bacana do novo livro.

- aliás, entre os vencedores brasileiros do Prêmio FNLIJ, vale destacar os autores Eucanaã Ferraz (criança), Flávia Lins e Silva com 'Mururu no Amazonas' (jovem) e Angela Lago (ilustração hors-concours e reconto).

 

Navegando

- o catálogo da Abacatte está mesmo uma obra de arte digital, digna de competir com os melhores catálogos europeus de literatura infantil e juvenil.

- também online, é a revista Princesas Africanas, da LeiaBrasil, com os contos encantados de Braulio Tavares, Janaína Michalski, Márcio Vassallo e Marina Colasanti.

- Márcio Vassallo volta a escrever na coluna Educação para o encantamento. Para quem ainda não perguntou, pode ir lá: ele responde. Sempre.

- no Projeto Generosidade, a boa-ação é ler para pessoas hospitalizadas ou em situações de abrigamento (idosos e crianças). O interessante é que o ouvinte não é o único beneficiado: o projeto enraíza o hábito da leitura também para os leitores.

- quem inaugura a coluna de infantis e juvenis do PublishNews é Dolores Prades, e o primeiro artigo já é uma delícia: fala sobre a última fronteira que representa o livro infantil digital. Aliás, as crianças são mesmo naturalmente impacientes e dizem logo: eu quero agora!

- a coluna No Prelo avisa que o livro 'Nweti e o mar (Exercícios para sonhar sereias)', de José Eduardo Agualusa, chega no segundo semestre ao Brasil, pela Gryphus editora.

 

E mais...

- o trailer do filme 'As aventuras de Tintin' já está online. Mas o filme ainda demora: só chega cinemas dos EUA no dia 23 de dezembro. A gente espera...

- e, enquanto espera, vale conferir o último filme da saga Harry Potter. Será realmente o último??? Nem J.K. Rowling sabe, mas, por via das dúvidas, registrou um site exclusivo para interessados na vida pós-saga do bruxinho.

- sobre língua, cultura e diversidade, um vídeo bacana da Coleção Muiraquitãs, que revela a consciência dos índios acerca da dominação política através da língua.

- o ilustrador Maurício Negro fez sucesso na roda de conversa sobre literatura indígena na Flipzona. É que ele acabou de lançar "Tekoa, Conhecendo uma aldeia indígena", que fala sobre um menino que resolve passar as férias numa aldeia indígena Guarani e acaba aprendendo que "Tekoa, em guarani, não é apenas uma simples aldeia, mas um lugar sagrado".

- e não é só a Gramática que apanha... o Ministério da Educação pagou R$ 13,6 milhões para ensinar que 10 menos 7 é igual a 4. Os erros graves em livros e apostilas para a rede escolar foram sujeitos a uma sindicância para apurar o prejuízo e os responsáveis. #fail

- e as férias escolares chegaram!! Se você ainda não sabe o que fazer nas férias de inverno, vale brincar com os mini-fotógrafos, explorar livros e ilustrações francesas, aprender a fazer chocolates artesanais (esse eu já testei - é DEZ!!) ou mesmo um delicioso pão de campagne (é um pouquinho mais difícil, mas dá para fazer), refletir sobre os limites, razões e desrazões do bullying, e ver alguns filmes deliciosos e raros como 'As bicicletas de Belleville' com pipoca e brigadeiro de colher.

 

Fontes: O Globo, Globinho, PublishNews, Agência Riff, Estação das Letras e mailing pessoal da autora.
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- Munduruku, Daniel. Catando Piolhos: Contando Histórias. Ilustr: Maté. Brinque-Book, 2006.

Sugestão de idade: 6 a 10 anos.


por Rosane Villela


Nos dias atuais, tão importante quanto ensinar a história indígena em nosso país, é falar dos valores que a sua tradição cultural na relação com o outro, nos ensina. A história nos aponta os caminhos destas nações desde a colonização e conquista da América, enquanto Daniel Munduruku nos faz refletir sobre os nossos descaminhos.

Com o olhar sensível, que repousa nas suas raízes, o autor de Catando Piolhos – Contando Histórias, em oito relatos, discorre sobre a vida da sua comunidade indígena. Premia suas lembranças na filosofia de vida comunitária para mostrar os valores, os hábitos, os costumes e a tradição de sua nação.

Catar piolhos e contar histórias ao mesmo tempo é apenas uma das várias maneiras de priorizar os relacionamentos e formar o homem. Assim como caçar; sentar ao redor do fogo aceso no centro da casa, para a alimentação do corpo e para as conversas compartilhadas no respeito e na atenção; brincar para aprender; ouvir os ensinamentos do pajé e dos ancestrais.

Atos simples e rotineiros que, alimentados pelo amor e transmitidos pelas gerações, têm uma dimensão fundamental: a social, a da formação de um ser comunitário, em seu estar no mundo como indivíduo.

Além de contar histórias e responsabilizar-se pelo registro da vida de sua aldeia, Daniel imprime lições, disfarçadas nos relatos que perpassam a sua obra. Lições de vida, em ritmo lento, como o rio, poético e melodioso, onde a pressa não tem vez e a sabedoria é a voz que comanda. Adota o tom da natureza e deixa, ao leitor, a floração de suas próprias reflexões, provocando-o a uma revisão dos seus conceitos, estagnados pela intolerância e pelo desamor inerentes à sociedade a que pertence.

Compartilha o saber da primazia do todo pelo indivíduo e faz este pensar que “(...). É o homem que ensina e a comunidade toda educa”, ao traçar, no próprio indivíduo, a força motriz da sobrevivência dos valores humanos de sua nação.

Com o seu dom de contador de histórias, que muitas vezes se repetem em seus variados livros — numa narrativa que objetiva o aprendizado dos valores e das tradições, pela repetição dos fatos narrados, própria do modus vivendis indígena—, Daniel prende a atenção dos seus leitores pelo apuro sincero de suas palavras que “significam muitas coisas ao mesmo tempo”.

As ilustrações de Maté dialogam com o texto. Faixas de losangos, na horizontal e na vertical, aparecem “baseadas em um motivo da pintura corporal tradicional munduruku”, como ela própria explica. Algumas mostram a natureza, os utensílios usados pelos indígenas, os hábitos e costumes — como a vestimenta e a pintura tatuada que parece barba no rosto da mulher-indígena —, enquanto outras denotam a sua própria interpretação do fato narrado pelo autor. Ilustrações em vibrante colorido.

E o que é sutil, é o que mais encanta: o traçado pequeno dos piolhos que surgem e desaparecem, para surgirem novamente, em toda a obra. Como se acompanhassem as inquietações que Daniel transpõe em forma de histórias. Histórias encantadas que nos fazem respirar um outro tempo e lugar.