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por Dilma Bittencourt
- Queirós, Bartolomeu Campos de. Ciganos. 14ª edição. Global Editora, 2004.
Num dia o autor encontrou o menino, num tempo que não existe, num espaço imaginado. Uma história autobiográfica? Biografia em ficção, uma viagem pela imaginação, um paralelo do desejo do menino com o renovar da alma cigana? Com a identidade e núcleo da família cigana?
E o menino idealizava e o autor inventava. O menino andarilho, mas escondido na casca de um caramujo, enrolado em si mesmo, tentando pescar o mundo além da linha do horizonte. Tentando descobrir o lugar imaginando. Pensando a esperança, buscando. Num movimento circular do sonho.
Encontro poético do autor com os resquícios de sua infância, tentando resgatar o menino da sua solidão, viajando num tempo da ilusão, do desejo e falta, do anseio do calor humano, da festa, da música, da tenda, do aconchego do povo cigano.
Em “Ciganos”, Bartolomeu Campos Queirós fala de carências, do vazio, de um menino que se sente só, escanteado, através do simbolismo dos objetos que lhe roubam o lugar, a presença, o afeto. E sonha com a proteção de um pai, com o amor e afeto, mesmo que silencioso, mas compartilhado.
E assim o autor cria um cenário de um tempo que não viveu e o espaço que não viu. O futuro era a incógnita, o segredo, o espanto, o mundo era o infinito do afeto, em mares e luzes distantes. O encontro com o transitório, porém eterno. Um mundo em movimento, de afetos fugazes, mas de emoções sólidas.
Em prosa poética, o autor desmistifica os estereótipos e preconceitos sobre esse povo mundano. Um contraponto à popular ópera “Carmem”, de Bizet. Dando ênfase ao trabalho diuturno do cigano. Ao toque de harmonia do seu martelo integrado à batida do sino da igreja. Desfaz o “pré (anterior) conceito “do ladrão de meninos,” simbolizado no desejo do protagonista de ser roubado e resgatado pelo pai, através da sua fantasia. E dá luz, cor, esperança, ritmo, movimento à vida do menino protagonista que se vê nos olhos da imaginação cigana...
observação da resenhista: o título ganhou o Prêmio Jabuti de literatura juvenil-CBL, selo Altamente recomendável para jovens-FNLJ, e foi um dos cinco indicados para o Prêmio Bienal Banco Noroeste de Literatura.


























