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por F. Freitas e Paula Cajaty

- Mururu no Amazonas. Silva, Flávia Lins e. Rio de Janeiro: ed. Manati, 2010.

 

Mururu é o nome dado a um casquinho, onde Dorinha, uma linda jovem, encantada pelo mar, navega pela imensidão. Um belo dia parte em uma viagem através dos afluentes do Amazonas, deixa sua casa, sua mãe e vai em busca de seu pai, que havia saído para caçar tracajá, mas o perde de vista e precisa seguir sozinha, enfrenta perigos, correntezas, cobras, outros animais e tempestades, com muita valentia, coisa de menina criada na natureza.

Sua viagem fica ainda mais bela quando conhece Piú, um caboclo, moço bonito, por quem se apaixona. Ao seu lado, Dorinha descobre a beleza do amor. Juntos seguem passando por muitos rios, fazendo amizades com os pássaros e distribuindo sua alegria pelo caminho.

A narrativa em prosa poética de Flávia Lins e Silva desperta a imaginação, desperta os sentidos, deixando o leitor embarcar nessa viagem ao lado de Dorinha e Piú. Aprendemos sobre a geografia do Amazonas, os afluentes e os mistérios que eles guardam, o nome de cada pássaro, cada árvore, de qualquer inseto por menor que seja. Mururu traz a Amazônia para dentro de cada leitor que, mergulhado na história, se embala com o ritmo, os sons, toda a estética própria da selva. Não foi sem motivo que Flávia Lins e Silva, além de ganhar o Selo Altamente Recomendável da FNLIJ, ganhou a premiação de Melhor Livro de 2010 para jovens.

Com uma narrativa fluente e, pela primeira vez misturando aventura com algumas pitadas de poesia, Flávia presenteia seus leitores com um livro divertido, rico e sensível. Mais do que nos ensinar sobre a fauna e a geografia da Amazônia, ela ensina sobre o encantamento que a floresta - assim como a leitura - pode guardar, e que pode exibir para quem se aventurar sobre suas águas, feito um casquinho entre essas folhas que também nascem da madeira.