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às vezes
numa névoa de cinzas
dois pequenos fachos de luz
te furam o miolo das nuvens
e sobressaem, quentes
e se acendem, soberanos
quase felizes.
às vezes, muito às vezes
- ninguém imaginaria -
esses jatos de brilho
se espalham...iluminam...se misturam
e se despedem assim
- como tudo sempre se despede -
um pouco só.
à areia
queimada e tingida
barrenta e desalinhada
resta apenas soprar de novo
e de novo e de novo
até apagar rastros
ou, de um jeito outro
esperar passar
mais uma névoa cinzenta.
quem sabe outro facho vem te furar o miolo das nuvens?

























